Introdução
O trabalho de cuidado, central para a vida social, foi naturalizado como dever feminino, reduzido a altruísmo e maternidade, o que invisibilizou sua dimensão laboral. Essa lógica perpetuou a dependência econômica das mulheres e reforçou desigualdades de gênero, classe e raça, sobretudo para mulheres negras e pobres. Mesmo mercantilizado, o cuidado segue desvalorizado e hierarquizado. Reconhecê-lo como direito e bem coletivo é condição para repensar cidadania e enfrentar o patriarcado.
Fundamentação e Discussão
O cuidado foi naturalizado como extensão da feminilidade, reforçando a divisão sexual do trabalho e a alienação das mulheres (Guedes; Daros, 2009; MPT, 2024). No Brasil, recaiu historicamente sobre mulheres pobres, negras e periféricas, beneficiando a acumulação capitalista (Ribeiro, 2019; Federici, 2019). Mesmo mercantilizado, segue precário e desvalorizado, como mostram estudos comparativos (Hirata, 2016; 2020). Os circuitos de cuidado revelam fronteiras simbólicas que perpetuam exclusões (Guimarães; Vieira, 2020).
Conclusão
O trabalho de cuidado é essencial para a vida, mas segue invisível e desvalorizado, sustentando desigualdades de gênero, raça e classe. A mercantilização não rompeu esse padrão, mantendo a precarização e a baixa valorização social. As fronteiras que definem quem cuida e em quais condições perpetuam exclusões. O Estado transfere a carga às famílias, sobretudo às mulheres. Reconhecer o cuidado como direito humano e bem coletivo é condição para enfrentar a lógica de exploração e reorganizar a sociedade.
Referências
FEDERICI, Silvia. O ponto zero da revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista. São Paulo: Elefante, 2019.
GUEDES, Moema; DAROS, Maria. Trabalho e gênero: debates e reflexões. Florianópolis: EdUFSC, 2009.
GUIMARÃES, Nadya Araujo; VIEIRA, Priscila. Circuitos do cuidado: dimensões e significados. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 35, n. 104, 2020.
HIRATA, Helena. Gênero, classe e raça: interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais. Tempo Social, São Paulo, v. 28, n. 2, p. 61-73, 2016.