Introdução
O aumento de resíduos sólidos no Brasil, impulsionado por urbanização e consumo, supera a capacidade de coleta e tratamento, gerando impactos ambientais, sociais e econômicos (SINIR, 2023). Em cidades médias, a gestão precária agrava o problema (Tavares, 2023), especialmente com pneus inservíveis, de lenta decomposição, que favorecem vetores de doenças e elevam custos de saúde (Lourenço; Rodrigues, 2017). Apesar da PNRS (Lei 12.305/2010) prever logística reversa, falhas de fiscalização, infraestrutura e conscientização limitam a economia circular e a sustentabilidade urbanana.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A pesquisa questiona como a logística reversa de pneus inservíveis atua na gestão sustentável de resíduos em cidades médias. Busca investigar esse mecanismo, descrevendo práticas, avanços e limitações, além de apresentar um diagnóstico que evidencie os principais desafios e perspectivas do processo em contextos urbanos de médio porte.
Fundamentação Teórica
A logística reversa é pilar da economia circular, reintegrando resíduos ao ciclo produtivo, reduzindo pressão sobre recursos e gerando valor econômico e social (Guarnieri, 2016; IBER, 2024). Reconhecida pela PNRS (Lei 12.305/2010), amplia o ciclo de vida dos produtos, fortalece competitividade e estimula responsabilidade compartilhada (Santos et al., 2013; Rocha et al., 2019). No caso dos pneus, 70% são coprocessados em cimenteiras ou usados em asfalto (Reciclanip, 2019; Novaes, 2021), mas falhas de coleta, infraestrutura e fiscalização limitam sua efetividade (Viotti et al., 2022).
Metodologia
A pesquisa exploratória adotou métodos qualitativo e quantitativo para analisar a logística reversa de pneus em Vitória da Conquista/BA. O estudo de caso único (Yin, 2015) abrangeu comerciantes de pneus e gestão pública. Entrevistas e questionários possibilitaram triangulação dos dados, analisados por conteúdo (Bardin, 2016). De 139 empresas do setor, 15 foram selecionadas e 8 responderam. O município, com 394.024 habitantes (IBGE, 2023) e frota de 196.470 veículos (DETRAN-BA), apresenta alta geração de pneus inservíveis e demanda políticas eficazes de manejo sustentável.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados revelam que, embora a parceria com a Reciclanip garanta coletas mensais, persistem falhas de infraestrutura, ausência de protocolos de pesagem e registros manuais que fragilizam o controle e a rastreabilidade, contrariando a PNRS (Lei 12.305/2010) e a Resolução CONAMA 416/2009. Comerciantes desconhecem normas e relatam descontinuidade da coleta, enquanto parte dos pneus segue armazenada a céu aberto, elevando riscos sanitários. Superar tais barreiras requer educação ambiental, fiscalização efetiva e governança integrada para viabilizar a economia circular.
Considerações Finais
A efetividade da logística reversa exige três pilares: infraestrutura técnica adequada, educação ambiental contínua e planejamento que integre setores público e privado. A ausência desses elementos compromete a gestão de resíduos e limita o valor econômico e social da economia circular. O estudo, de recorte local e amostra restrita, indica necessidade de incluir consumidores, catadores e comparar municípios. Recomenda-se investir em pontos de coleta cobertos, educação ambiental e soluções regionais para consolidar a logística reversa como instrumento de sustentabilidade e inclusão produtiva.
Referências
BRASIL. Lei 12.305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências, poder executivo, Brasília, DF, 02 ago. 2010.
VIOTTI, M. A. P.; CARLI, A. A. de; NASCENTES, A. L.; BRASIL, F. da C. A logística reversa de pneumáticos e a Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil: um estudo de caso sobre a Região Hidrográfica do Médio Paraíba do Sul. Valore. Revista Científica da FASF Faculdade Sul Fluminense, v. 7, p. 1–15, 2022.